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O espaço da mulher na ciência

Por Lucas Figueira e Sara Camelo


Grande parte de tudo o que somos, fazemos e possuímos são dádivas advindas da ciência. Desde o despertador que nos acorda, o banho gostoso pela manhã, até o café bem passado antes de trabalhar. Entretanto, quando imaginamos como ocorreram as inúmeras descobertas científicas, a primeira imagem que nos vem mente é a de um homem. Isso se dá por conta da mentalidade patriarcal impregnada em nossa sociedade.

Segundo dados da Plataforma Lattes, apurados pelo Open Box da Ciência, as mulheres constituem apenas 40% dos 77,8 mil pesquisadores com doutorado no Brasil. Com intuito de mudar esse cenário, e rever o papel da mulher na ciência, vários projetos estão sendo implementados por algumas Universidades do Brasil, como forma de resistência e compartilhamento das pesquisas feitas por mulheres no país.


Maria Eduarda de Moraes, de 21 anos, é estudante do 7° período do curso de História da UFU e idealizadora do projeto “Ciência delas”. O projeto consiste em um perfil no Instagram, @cienciadelas, no qual mulheres de diferentes áreas das ciências humanas, exatas e biológicas compartilham suas pesquisas, sejam elas, iniciações científicas, teses, monografias, entre outras.


De acordo com Maria Eduarda, a criação do projeto se deu por conta da situação atual do país. Para ela, a ciência vem sendo extremamente desvalorizada. É o caso, por exemplo, das fake news serem, muitas vezes, levadas mais a sério do que uma comprovação científica. Para a graduanda, abrir um espaço para mulheres falarem de ciência é importante em uma sociedade machista e misógina. “Eu quis mostrar que a ciência é algo valioso, proporcionando um espaço de afirmação da presença das mulheres no ambiente científico”, diz.


Maria Eduarda de Moraes, graduanda em História, é a idealizadora do projeto “Ciência Delas". Foto: Acervo Pessoal.

Além do cenário intimista que a ciência vive hoje no Brasil, com cortes de verbas e interrupções de pesquisas nas universidades, as mulheres representam apenas 35,5% do total de pesquisadores brasileiros que recebem a bolsa de produtividade, como aponta a pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Uma forma de mudar essa situação é por meio da divulgação científica advindas de projetos, sites e perfis nas redes sociais, que afirmam a importância das pesquisas científicas.


Camila Rodrigues, estudante de Biologia na Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), é administradora da página de divulgação científica no Instagram Ecolíbrio, @ecolibrio. A graduanda aponta que a difusão da ciência se faz necessária como forma de partilhar a informação e atingir representatividades femininas no espaço científico. “A importância da divulgação das mulheres na ciência se estabelece quando percebemos o papel da representatividade para as futuras gerações”, diz.


Segundo Camila, sua principal inspiração na ciência foi herdada pela família, através de sua própria avó, Rosa Bonfá. “Minha avó se formou no curso de Química na primeira turma que aceitou mulheres na Ufscar, e, também, foi a primeira mulher da universidade a ser contratada pela instituição”, explica.


A estudante de Biologia Camila Rodrigues é a criadora da página Ecolíbrio. Foto: Acervo Pessoal.

Apesar das desigualdades de gênero dentro das universidades, a estudante de Biologia percebe algumas mudanças dentro do ambiente acadêmico. “Nós já vemos mulheres lecionando e fazendo pesquisas dentro de universidades”, diz. Contudo, ainda pontua que temos que levar essa representatividade para além dos muros universitários. “A divulgação científica é uma forma de descobrir coisas novas e afirmar o papel da mulher no meio científico”, conclui.


Para entender mais sobre o papel da mulher na ciência, confira os perfis citados por aqui e acesse a plataforma de coleta de dados Open Box da Ciência, que visa compartilhar informações sobre as contribuições científicas de mulheres por todo o país.

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