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O desafio da educação em tempos de isolamento social

Por: Lucas Figueira e Sara Camelo





Em março de 2020 a rotina de estudos da aluna de Jornalismo Ana Carolina Oliveira mudou por conta da pandemia da Covid-19. A Faculdade em que ela estuda, Esamc, optou por continuar as atividades estudantis pela internet. Sendo assim, as aulas e orientações que antes eram presenciais migraram para o EAD (Ensino à distância).


Ana Carolina estava no meio da produção de um PGE (Projeto de Graduação Esamc) quando as atividades remotas tiveram início. Por conta disso, as dificuldades na migração para o EAD foram maiores do que ela esperava. “As adaptações das reuniões com o grupo e as mentorias foram os mais difíceis, até que encontramos as ferramentas que nos atendessem”, diz.


A discussão sobre atividades acadêmicas remotas aumentaram desde o início da pandemia. Questões sobre o acesso à internet, disponibilidade de horários e a comunicação entre estudantes e professores são algumas das pautas mais veementes.


De acordo com Aléxia Pádua Franco, professora da UFU há 28 anos, com mestrado e doutorado em educação, relacionado à comunicação e história, a educomunicação pode servir na construção da educação virtual.


“A educomunicação pode contribuir nesse sentido de mostrar quanto é importante uma educação dialógica, não apenas a transmissão de informação ou um repositório”, explicou.


Para a estudante de jornalismo Ana Carolina, a discussão sobre o ensino à distância vai além de questões práticas. Ela nos proporciona uma reflexão sobre a própria área da comunicação. “Essa situação nos fez conhecer um pouco mais sobre cada um, a melhor maneira de fazer com que a mensagem seja entendida de forma clara e objetiva. Foi um trabalho recíproco em que os professores fizeram o máximo para nos auxiliar”, explicou.


A UFU vem estudando a implementação de um ensino remoto para os alunos. Nessa semana a Universidade anunciou a retomada das atividades de pós-graduação e da Escola de Educação Básica (Eseba) de forma não presencial.


“Não é simples dizer se é contra ou a favor do ensino remoto. Inicialmente sou a favor de que dá para fazer um ensino remoto de qualidade, mediado pelas tecnologias digitais. Porém, isso quando é feito de forma séria, com muita mediação. Eu posso responder isso pois estou dentro desse mundo desde 2012, então estou habituada”, explicou a professora.


Métodos de ensino


Um dos problemas levantados por Aléxia sobre o ensino on-line, é em relação à forma de como ele será aplicado. “O ensino não pode ser apenas uma transmissão de conhecimento em uma aula, via web-conferência, que pode ser gravada pro aluno assistir depois”, comentou.


“Também não é bom usar a tecnologia para transformar ela em uma "pasta de xerox", ou seja, um tipo de repositório. Então o aluno vai até ela, estuda pelo vídeo, faz exercícios e o professor avalia. Nesses casos não há diálogo”, completou.


Aléxia ainda relata que não são todos os professores que usam o diálogo nas aulas presenciais. “Sabemos que educação dialógica não existe em algumas aulas presenciais. Temos professores que se preocupam ou não com metodologias dialógicas, pois a educação bancária é muito predominante dentro da Universidade. “


“Tenho certeza de que esses princípios de educomunicação, não serão utilizados por muitos professores, que terão dificuldades de fazer isso com as ferramentas digitais, o que é um problema”, completou.


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