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Evento para debater o feminicídio é organizado pelo PET Conexões de Saberes Educomunicação, na UFU


Por: Leonardo Vassoler e Lucas Eduardo Silva


As advogadas Marília Freitas e Júlia Palmeira reforçam a importante do diálogo para combater as práticas que levam ao feminicídio. (Foto: Duda Yamaguchi)

Na quarta-feira 12 de setembro, aconteceu o evento “Precisamos Falar Sobre: Feminicídio!” na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), no campus Santa Mônica, bloco 5V. O debate contou com a presença de Marília Freitas, advogada do projeto “Acolhidas”, grupo que garante assessoria gratuita em casos de violência de gênero na UFU, e de Júlia Palmeira, professora universitária e advogada do grupo “Todas Por Elas”. Tal projeto visa oferecer assessoria jurídica de vítimas em casos de violência doméstica, familiar e de gênero.


O evento, que acontece bimestralmente na UFU, é realizado pelo Programa de Educação Tutorial Conexões de Saberes Educomunicação (PET). O PET proporciona aos alunos dos cursos de Jornalismo, Pedagogia e Direito da UFU um diálogo com políticas públicas relacionadas às suas áreas de formação. Além disso, promove a interação entre universidade e comunidade para uma efetiva troca de saberes. O tema “feminicídio” foi escolhido pelo projeto após o caso da advogada Tatiane Spitzner, assassinada pelo marido, Luis Felipe Manvailer, em julho deste ano, que abriu portas para o aparecimento de vários outros casos como esse.


Antes do debate, foi exibido o documentário “Até Que a Morte Nos Separe”, produzido por alunos da Pontíficia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás). O documentário conta com o depoimento de mulheres que já sofreram violência doméstica e casos de feminicídio no Brasil. A exibição tinha como objetivo promover a reflexão dos ouvintes a respeito do tema e prepara-los para a discussão que seria apresentada pelas palestrantes.



"Através do conhecimento e do diálogo é possível combater a violência e o machismo", afirma Laura Quaglio, uma das organizadoras do evento. (Foto: Duda Yamaguchi)


Júlia Palmeira, após a fala de Marília, apontou que as mulheres, sem culpabilização da vítima, acabam contribuindo para a violência simbólica que existe na sociedade. Ou seja, sem saber, acabam reproduzindo alguns discursos machistas. Isso acontece, segundo a advogada, devido à falta de discussões sobre o tema, visto até mesmo na lei, já que apenas em 2015 foi criada a lei que qualifica o feminicídio como homicídio, garantindo ao infrator prisão de 12 a 30 anos de cadeia. Ela explica que, a partir do momento em que se dá visibilidade para o feminicídio, é possível reverter as práticas que levam ao crime. “Nesse sentido todo debate em espaços democráticos deve ser incentivado, principalmente os que se referem a esta temática”, conta.


A mestranda em Psicologia, Jéssica Pereira, que estava presente no evento como ouvinte, apontou a importância do evento para a discussão desses temas. “Na universidade, um local de formação, é preciso discutir as questões de gênero, que serão levadas para a vida”, disse.

Essa dialogicidade, segundo Laura Quaglio, uma das organizadoras do evento, estudante de Direito, estagiária do Acolhidas e participante do PET, é muito importante no meio acadêmico da mesma forma que o estudo de assuntos desse tipo para que temas como violência contra a mulher sejam ainda mais abordados na universidade. “É importante trazer pessoas que estudam a teoria para mostrar o que acontece e todos os estudos que estão sendo pesquisados há anos”, conta. Ela acredita ainda que eventos como esse, que promovam a comunicação como forma de educar sobre o tema, sejam as melhores formas de se abordar o assunto e tentar erradicar o feminicídio. “Através do conhecimento e do diálogo é possível combater a violência e o machismo”, explica.


A participante do PET disse também que o próximo tema do “Precisamos Falar Sobre” ainda não está definido, mas geralmente é um tema que está em alta na sociedade e que merece um espaço para o diálogo na universidade.

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