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Encontros Freireanos e Escola sem Mordaça promovem tarde educomunicativa

Por: Loise Monteiro e Sara Camelo

Foto: Sara Camelo

Na sexta feira, 24 de maio, o bloco 5S, no campus Santa Mônica, da UFU se tornou cenário do evento “Eventos Freireanos + lançamento Frente Escola sem Mordaça”. Em uma programação que permitiu várias formas de diálogo e de colocar em prática a educomunicação, foi possível compreender melhor a necessidade da resistência em tempos de desvalorização da educação.

Gabriel Ribeiro Fajardo, discente do terceiro ano do curso de pedagogia, foi um dos organizadores do evento. Ele conta que a ideia partiu da professora Camila Coimbra, docente da disciplina de “Princípios Éticos Freireanos”. A princípio, o intuito era fazer um pequeno evento para promover o encontro entre as duas turmas que já fizeram a disciplina. Porém, a organização foi tomando proporções maiores e entendeu-se que o tempo histórico atual traz a necessidade de abrir esse diálogo para os demais cursos. “Eu vi pessoas aqui do direito, da letras, da história, da enfermagem. Esse diálogo, essa troca entre os cursos, entre as entidades, entre os movimentos sociais com a sociedade é uma produção de saberes, luta e resistência. Então, a ideia de abrir o evento a universidade veio muito a calhar”, conta o estudante.


Plantio da jabuticabeira

A primeira atividade do evento foi o plantio da jabuticabeira, parte da disciplina de Princípios Éticos. “Cada semana uma pessoa da turma levava a jabuticabeira para a casa para cuidar. Então, tínhamos que conversar: ‘Quanto tempo você deixou no sol? Quanto de água você deu para ela? O que você fez para ela não cair no ônibus?’. Essas trocas, se conhecer e conhecer o próximo, essa parte humana na universidade é muito especial na disciplina. Então, é muito bacana e muito simbólica a jabuticabeira, que representa uma fala do Paulo Freire sobre sair do imobilismo”, explica Fajardo.


"A jabuticabeira não se assume como um ser reflexivo que descobre ser condicionado pela história, pelo clima etc. O que acontece com a jabuticabeira é que ela se adapta, se harmoniza com as condições ambientais", Paulo Freire. Foto: Sara Camelo

Lançamento do site

Após o plantio da árvore, foi lançado o site da disciplina, que tem como objetivo reunir os produtos desenvolvidos. Na primeira turma, cada aluno leu um livro e dividiu com a turma seu parecer. Depois, fizeram um podcast para compartilhar as aprendizagens. Na segunda turma, foi produzida uma linha do tempo musicada sobre a vida de cada aluno.


Frente escola sem mordaça

Um dos momentos do evento foi o lançamento da “Frente Escola sem Mordaça”. Olenir Maria Mendes, professora da faculdade de educação (FACED) e também diretora da ADUFU (Associação dos docentes da UFU) foi uma das responsáveis por organizar a criação da frente regional em Uberlândia. Ela explica que esta é uma maneira de juntar todas as entidades e movimentos sociais que, de alguma maneira, estão relacionados com a educação e com o trabalho de formação. “Vivemos um momento na nossa sociedade em que a educação está sofrendo ataques, então precisamos resistir. Mais do que nunca nós precisamos de uma educação crítica, que ajude a pensar, que é o contrário do que está sendo colocado pelo governo que temos hoje”, diz a docente sobre a importância da iniciativa. “Nós temos aqui na universidade alunos questionando a razão de trabalhar Paulo Freire na nossa disciplina. Patrono da educação brasileira, patrono do Brasil, reconhecido no mundo inteiro, e um aluno acha que ele tem que questionar o porquê de o estudarmos”, reflete Mendes.



"Mais do que nunca nós precisamos de uma educação crítica, que ajude a pensar", afirma Olenir Mendes.

Mesa dialógica

Para finalizar o evento, foi promovido um debate com as professoras convidadas Nima Spigolon e Débora Mazza, da unicamp, e a presidente do conselho municipal de educação, Maryna Antunes. Ao lado da professora Camila Coimbra, cada uma teve 15 minutos para problematizar a educação bancária e logo após foi aberto um bate-papo com o público.


Para ilustrar o debate Nima Spigolon escolheu o poema "Canção óbvia", de Paulo Freire. Foto: Sara Camelo

Antunes indaga que a “mordaça” tenta se fazer presente na sala de aula todos os dias e que entre professores e alunos não pode existir inimizade. “Não é uma disputa, mas sim, uma troca”. Já Mazza ressalta que este momento de crise exige consciência, pois tudo vira mercadoria, inclusive, a educação. Spigolon também explica que por conta de todos esses acontecimentos políticos e da atual situação do país, estamos exercitando nossa capacidade de pensar e refletir. Além disso, entende que deve haver um diálogo para decidir qual tipo de educação é a mais viável. “Não é certo afirmar: Educação bancária numa mais e logo após determinar outro tipo de educação. Isso é contraditório com os ensinamentos de Freire.” A docente finaliza afirmando que o encontro entre professores e alunos é essencial para que haja mudanças. “Eu estou gostando desse encontro de gerações que lutam pela educação”.

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