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Disciplina especialmente voltada para Paulo Freire é oferecida na UFU

Por: Duda Yamaguchi e Loise Monteiro


A disposição dos alunos em roda durante as aulas é uma forma de romper com os moldes de uma pedagogia tradicional. (Foto: Loise Monteiro)

A Faculdade de Educação (FACED) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) ofertou neste semestre, pela segunda vez, a matéria optativa de “Princípios éticos freireanos”, com o objetivo de aprofundar os estudos sobre o pedagogo brasileiro Paulo Freire. Ministrada pela professora Camila Coimbra, a disciplina é oferecida às quartas-feiras a tarde aos cursos de licenciaturas e àqueles que desejarem estudar mais sobre o patrono da educação.


A ideia de abranger os estudos de Freire na universidade surgiu em 2015 pelo núcleo de didática da FACED ao abordar a falta de discussões sobre o tema, além das matérias obrigatórias sobre didática, mas só em 2017 foi possível ofertá-la. Segundo Coimbra, responsável pelas aulas, a importância de se abordar o educador nas licenciaturas é essencial, devido a sua relevância na área. “Para nós, é fundamental que Paulo Freire exista na formação de professores para entender qual foi o seu legado e seu pensamento em relação à educação”, conta a professora.


Por contar com apenas duas turmas até então, Coimbra realizou um balanço sobre o que foi realizado no segundo período de 2017, mas enfatiza que os atuais alunos possuem gostos e ideias diferentes, sendo necessário reavaliar e repensar as propostas. “Criamos uma metodologia para a primeira turma, mas não será a mesma da segunda, já que um dos princípios freireanos é partir da realidade. Eu tenho que conhecer quem são esses estudantes que estão fazendo a disciplina para aproximar e dar sentido e significado às aprendizagens que vão ocorrer ao longo do semestre”, explica.


Durante as aulas, era importante estabelecer o diálogo, uma das características mais marcantes de Paulo Freire. A professora, na primeira turma, realizava as aulas em roda, para garantir a ideia do círculo de cultura, em que os alunos poderiam compartilhar seus estudos sobre o autor e suas próprias vivências pessoais na área da educação. “O princípio da disciplina tem que assumir uma coerência entre a teoria e a prática. Se nós vamos estudar Paulo Freire, não dá para termos uma disciplina nos moldes de uma pedagogia tradicional”, fundamenta Coimbra. São esses processos educomunicativos, pautados pelas trocas de conhecimento, que aplicam a teoria de Freire na prática e tornam o aprendizado ainda mais eficaz e interativo.



Para a professora Camila Coimbra, é preciso partir da realidade dos estudantes para que os aprendizados tenham sentido. (Foto: Loise Monteiro)

Sempre buscando reduzir ao máximo as amarras da sala de aula, foram realizadas atividades que aprofundassem o vínculo entre a comunicação e a educação. Um exemplo foi a criação de um caderno com relatos do que foi aprendido pelo estudante naquela semana e a criação de podcasts, gravados na Rádio Universitária da UFU, para responder algumas problematizações realizadas nas aulas. Além disso, através da ideia de Paulo Freire dos seres inconclusos e não isolados, em que aproxima a ideia dos indivíduos a uma jabuticabeira, os alunos decidiram cuidar de um bonsai, para representar esse conceito. Isso aumentou ainda mais a troca de aprendizagens, pois, como cada semana alguém levava a árvore para casa, precisavam conversar entre si sobre como era o seu cultivo.


A estudante do curso de Letras – Espanhol Prisciele Bottara de Melo considera Paulo Freire como uma leitura obrigatória nas licenciaturas e aponta a importância de se ter em uma mesma disciplina alunos de diversos cursos para aprimorar ainda mais o diálogo e a troca de ensinamentos. “Tenho certeza de que meus outros colegas vivenciaram outras coisas nessa disciplina, porque somos seres diferentes e falamos várias linguagens. É uma porta de entrada para as pessoas que concordam, ou não, com as ideias de Paulo Freire e as pedagogias”, explica. Ela ainda afirma que sua experiência com as aulas foi muito positiva e que colocará em prática aquilo que foi aprendido em seu futuro na docência. “Podem passar anos e essa disciplina ainda vai reverberar no meu exercer como professora”, conta a aluna.


Coimbra acredita que a primeira turma da disciplina aproveitou bem os ensinamentos de Freire, além de estabelecerem uma relação muito positiva com o processo. “Acredito que cumpriu o objetivo de obter o conhecimento inicial de Paulo Freire e a oportunidade de vivenciar o que é uma perspectiva progressista e libertadora. Criamos um vínculo afetivo e de aprendizagem entre todos, uma vontade de fazer a disciplina”, relata. Ela ainda mantém altas suas expectativas para essa segunda vez como professora da disciplina e considera que essa proposta educomunicativa deve ser fundamental para dialogar com os novos estudantes e encontrar uma nova forma coerente de ensinar a nova turma.

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