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A existência negra como forma de resistência

Por Lucas Figueira e Sara Camelo



É tempo de parar para olhar o movimento do cotidiano e, por meio disso, adquirir a consciência sobre o que é ser negro dentro da organização social. No Rio de Janeiro, uma das maiores cidades do país, uma pessoa negra tem 2,7 mais chances de ser assassinada do que uma pessoa branca, segundo o informativo “Desigualdades Sociais por Cor e Raça no Brasil”.


Para o professor do curso de Jornalismo da UFU, Dr. Gerson de Sousa, o 20 de novembro é um convite para voltarmos os olhares não apenas para os acontecimentos do presente, mas, também, os do passado. “Determinadas questões que permeiam sobre o negro no presente são frutos das relações do passado”, explica.


O passado ecoa de forma brutal e desumana. Soa, por exemplo, como o grito de desespero de uma das mães das 20 crianças baleadas no Rio de Janeiro apenas neste ano, segundo a plataforma Fogo Cruzado.


Gerson desenvolve pesquisas sobre Comunicação, Cultura Popular, Memória e Velhice. Foto: Acervo Pessoal.

O professor Gerson, enquanto homem negro, acredita no combate às desigualdades raciais a partir da afirmação do negro como sujeito. “O dia da Consciência Negra não se restringe a denúncia do racismo. Ele se amplia para que a sociedade olhe o que é ser negro enquanto identidade”, afirma.


Para que isso aconteça de forma eficiente, Gerson acredita que a mídia precisa rever a forma de abordagem sobre essa data tão importante. “Muitas vezes, vemos uma programação apenas na semana da Consciência Negra sem fazer articulações com o passado”, indaga. Para ele, esse tipo de discussão se fecha em si mesma e não permite uma reflexão sobre o ser negro e sua historicidade. A mídia fala mais sobre a resistência do negro deixando de lado a questão da existência, que, em sua opinião, é o ponto central. “É importante mostrar a resistência porque aborda a questão do enfrentamento da questão do racismo, mas precisamos mostrar também os valores”, diz.


A luta pela afirmação da existência negra deve começar, desde cedo, ocupando outros espaços, como por exemplo, as escolas e as universidades. Para Gerson, é importante repensar o ensino e o conceito de educação. “As pessoas precisam entender o negro como elemento importante na leitura do social e não, simplesmente, como um sujeito que atravessa a historicidade a partir da violência que o nega”, conclui.


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